Collaborative Care no tratamento da DMRI e atrofia geográfica
Collaborative Care no tratamento da DMRI e atrofia geográfica
Como ocorre com muitas doenças crônicas, a incidência da degeneração macular relacionada à idade (DMRI) deverá aumentar devido ao envelhecimento da população. Há uma projeção de que até 2040, o número de pacientes com DMRI alcançará a marca de 288 milhões.¹ Instituições e prestadores de cuidados em oftalmologia terão que se preparar para o impacto desses pacientes, continuando empenhados em prestar cuidados de alta qualidade em um cenário de tratamentos que não para de evoluir. Os profissionais especializados no cuidado da visão trabalharão em conjunto, usando uma linguagem e dados de imagem comuns para alcançar um objetivo: oferecer cuidados que preservem a visão. O ZEISS CIRRUS OCT, com a sua Advanced RPE Analysis e o AngioPlex®, pode ser a base usada por profissionais especializados no cuidado da visão para detectar e monitorar todas as formas de DMRI.
Classificação da DMRI e linguagem comum
Como resumido na tabela 1, existem dois sistemas de classificação da DMRI que têm sido frequentemente usados nos cuidados clínicos. O sistema clássico AREDS e os novos critérios do Beckman Committee são semelhantes, mas não intercambiáveis, e ajudam os profissionais de saúde ocular a identificar adequadamente a fase da doença dos pacientes com DMRI. É importante que optometristas e oftalmologistas usem o mesmo sistema de classificação para garantir uma prestação de cuidados colaborativa exata e adequada.
|
Fase da DMRI |
Critérios do Beckman Committee* |
Critérios do AREDS |
|---|---|---|
|
Sem alterações aparentes devidas ao envelhecimento |
Sem drusas nem anomalias de pigmentação |
- |
|
Alterações normais devidas ao envelhecimento |
- |
- |
|
Sem DMRI |
Apenas pequenas drusas |
Sem drusas ou poucas drusas pequenas |
DMRI inicial |
Apenas drusas de tamanho médio |
Várias drusas pequenas, algumas drusas de tamanho médio e/ou anomalias leves do RPE |
|
DMRI intermediária |
Drusas grandes e/ou anomalias de pigmentação |
Numerosas drusas de tamanho médio, pelo menos uma drusa grande e/ou atrofia geográfica incidente não central |
DMRI tardia/avançada |
DMRI neovascular e/ou atrofia geográfica |
Atrofia geográfica incidente central, MNV ou sinais atuais/prévios de MNV |
*Todos os achados devem estar dentro de 2 diâmetros do disco da fóvea
Drusas: inclui drusas de qualquer tipo e depósitos drusenoides sub-retinianos. Anomalias de pigmentação: qualquer hiper ou hipopigmentação associada a drusas de tamanho médio ou grande. RE: epitélio pigmentar da retina. MNV: neovascularização macular
A Advanced RPE Analysis, disponível no ZEISS CIRRUS OCT, foi especificamente criada para ajudar médicos a tratar a DMRI não neovascular e pode ser usada na DMRI inicial, intermediária e tardia. O mapa de elevação de RPE pode medir o nível de drusas, e o Sub-RPE Slab pode detectar e quantificar as áreas de atrofia geográfica (AG). Conforme a DMRI vai progredindo de inicial para intermediária e tardia, a Advanced RPE Analysis pode ser usada para quantificar objetivamente a progressão das drusas e da AG. Uma classificação adequada da DMRI e uma detecção objetiva da DMRI baseada em OCT podem facilitar a relação de cotratamento entre a optometria e a oftalmologia, para que todos os profissionais de saúde façam tudo que for possível no âmbito de cada especialidade.
Com o surgimento dos tratamentos para AG, o cotratamento da DMRI precisará ser muito ampliado para garantir que os pacientes com AG sejam identificados na fase inicial, reencaminhados para um especialista da retina, e que o tratamento comece quando necessário. O Classification of Atrophy Meeting antecipou a importância da identificação correta da fase da AG e criou novas definições para a AG. Resumido na Tabela 2, “AG” é considerado um termo clínico, sendo “atrofia completa da retina externa e epitélio pigmentado (cRORA)” usado como a definição preferencial de AG com base em OCT. Tal como acontece na classificação da DMRI, será importante que os optometristas e oftalmologistas usem a nomenclatura mais recente para criar padrões de encaminhamento e protocolos de tratamento adequados.
|
Achado da DMRI |
Descrição |
|---|---|
|
Atrofia geográfica |
Termo clínico usado para designar áreas de atrofia da retina e RE sem a presença atual ou prévia de CNV |
|
iRORA |
Degeneração da retina externa/fotorreceptores com alinhamento vertical, atenuação ou disrupção do RE e aumento da transmissão de sinal na coroide |
|
cRORA |
Zona com alinhamento vertical de hipertransmissão de ≥250 µm, zona de atenuação ou disrupção da banda do RPE de ≥ 250 mm e evidência de degeneração dos fotorreceptores sobrepostos com características como redução da espessura da ONL, perda da ELM e perda da EZ ou IZ |
RPE: epitélio pigmentar da retina. iRORA: atrofia incompleta do RPE e da retina. cRORA: atrofia completa do RPE e da retina. ONL: camada nuclear externa. ELM: membrana limitante externa. EZ: zona elipsoide. IZ: zona de interdigitação. CNV: neovascularização coroidal
O percurso do paciente com DMRI
Durante muitos anos, pacientes com DMRI tinham apenas duas opções. Os optometristas e os oftalmologistas gerais monitoravam os pacientes com DMRI e os encaminhavam para um especialista em retina quando era necessário fazer o tratamento anti-VEGF. Na era do tratamento da AG, o percurso do paciente com DMRI será agora mais variável, e fazer um diagnóstico exato será cada vez mais importante. Continuamos a ter muitas dúvidas sobre quando e quem precisa de tratamento para a AG. Conforme vão sendo criados padrões de encaminhamento a nível local e nacional, os optometristas, os oftalmologistas generalistas e os especialistas da retina serão provavelmente inundados de pacientes com DMRI. O modelo de cuidados colaborativos de oftalmologia entre os optometristas, oftalmologistas e especialistas da retina será cada vez mais importante para garantir que os pacientes certos recebem o tratamento adequado.
Essa relação colaborativa provavelmente vai exigir cuidados mais compartilhados do que as relações de cotratamento antigas da DMRI. O uso de definições com base em OCT estabelecidas pelo Classification of Atrophy Meeting e de análises baseadas em OCT, como a Advanced RPE Analysis, vão garantir transições perfeitas entre os profissionais de oftamologia. Inicialmente, os pacientes com AG terão de passar pela oftalmoscopia e pela confirmação com OCT. Será importante utilizar os critérios padronizados de OCT (cRORA e iRORA) para determinar a necessidade de encaminhamento para um especialista da retina. O Sub-RPE Slab pode ser usado para detectar critérios pré-determinados para encaminhamento da AG, conforme acordado pelo optometrista ou oftalmologista e pelo especialista da retina. Esses critérios pré-determinados podem incluir a distância entre a AG e a fóvea, a área geral da AG ou o nível de progressão da AG. Todos esses dados podem ser calculados objetiva e automaticamente na Advanced RPE Analysis.
Quando um candidato a tratamento de AG é identificado, o paciente pode ser encaminhado para um especialista da retina para análise. Se o tratamento for iniciado, a Advanced RPE Analysis pode ser usada para monitorar o efeito do tratamento utilizando o relatório de análise de progressão. Como os pacientes que passam pelo tratamento da AG com inibição do complemento têm maior risco de desenvolver DMRI neovascular, será necessário fazer um monitoramento cuidadoso e exames da DMRI neovascular. Os sistemas de angiografia por OCT (OCT-A) como o ZEISS CIRRUS AngioPlex® serão mais importantes, uma vez que a OCT-A pode fazer exames não invasivos da DMRI neovascular. Com a OCT-A, o ideal será que os médicos detectem a DMRI neovascular na sua forma não exsudativa antes que ocorra uma perda significativa da visão.
A gestão clínica e o modelo Collaborative Care
A cirurgia de catarata e a cirurgia refrativa têm demonstrado como os cuidados colaborativos entre a optometria e a oftalmologia podem ser algo positivo para todos, numa relação em que todos – os optometristas, os oftalmologistas e os pacientes – saem ganhando. Os profissionais da oftalmologia podem tratar os pacientes com DMRI de forma geral, sem utilizar injetáveis. Simultaneamente, os especialistas da retina ficam menos sobrecarregados, encaminhando para um optometrista os pacientes com DMRI que não precisam de injeções. Esse paradigma de cotratamento da retina permitiria aos especialistas da retina prestar cuidados verdadeiramente terciários. Ao mesmo tempo, os pacientes têm cuidados personalizados excelentes de alta qualidade para a DMRI, prestados por dois profissionais em colaboração. O ZEISS CIRRUS OCT facilita essa relação colaborativa ideal, proporcionando imagens objetivas e reprodutíveis da DMRI seca com a Advanced RPE Analysis e a detecção de neovascularização com o AngioPlex®. Essa abordagem de alta tecnologia pode ajudar a garantir encaminhamentos adequados, reduzindo a necessidade de os pacientes andarem de clínica em clínica para receber cuidados para a DMRI não tratável. A colaboração será especialmente útil em áreas rurais, em que os pacientes podem precisar se deslocar durante horas para ir a uma consulta com um especialista da retina.
A onda crescente de pacientes com DMRI vai chegar, esteja o sistema de saúde preparado ou não. Como optometristas e oftalmologistas, é nosso dever prestar os cuidados necessários a esses pacientes. A única forma de fazer isso será incorporando as últimas novidades da medicina baseada em evidências, da tecnologia e dos modelos de cuidados colaborativos para prestar cuidados de alta qualidade de forma eficiente. Esperamos conseguir atender às demandas de nossos pacientes e do sistema de saúde, salvando milhões de pessoas contra a perda da visão.
Fale conosco!
Receba mais informações sobre o produto e a disponibilidade no seu país!-
1
Wong, Wan Ling, et al. "Global prevalence of age-related macular degeneration and disease burden projection for 2020 and 2040: a systematic review and meta-analysis." The Lancet Global Health 2.2 (2014): e106-e116