Suplemento

Como estabelecer as bases para o sucesso na cirurgia de catarata com tecnologia de ponta – Parte 1

Prepare-se para o sucesso cirúrgico
28 junho 2023 · 4 MIN. LEITURA
Autor Rafael I. Barraquer Rafael I. Barraquer, MD, PhD, presidente e professor de Oftalmologia, Universidade Internacional da Catalunha, Instituto Barraquer, Barcelona, Espanha

Inúmeros fatores contribuem para o sucesso da cirurgia de catarata e influenciam a experiência dos pacientes, dos cirurgiões e da equipe cirúrgica. Neste programa interativo de quatro partes, cirurgiões especialistas em catarata compartilham estratégias para otimizar os resultados da cirurgia de catarata. O começo tem dicas para uma avaliação pré-operatória adequada que ajudará os cirurgiões a planejar o procedimento, minimizar o risco de complicações intraoperatórias e alcançar os resultados visuais desejados. O restante do programa é dedicado aos avanços tecnológicos que melhoram a segurança, a eficácia e a eficiência.

Parte 1: Prepare-se para o sucesso cirúrgico

As novas tecnologias trazem oportunidades para melhorar os resultados da cirurgia de catarata. No entanto, para que a cirurgia tenha sucesso, você ainda precisa seguir os princípios fundamentais de planejamento do caso, realização do procedimento e acompanhamento pós-operatório do paciente.

Um planejamento adequado é a base para uma cirurgia segura e eficiente, mesmo em casos aparentemente rotineiros, e é de extrema importância ao operar olhos que apresentam situações mais complexas. Uma avaliação diagnóstica abrangente permite que os cirurgiões se preparem para um procedimento tranquilo e ajuda a minimizar o risco de complicações. No intraoperatório, os recursos avançados encontrados nos equipamentos modernos de facoemulsificação aumentam a segurança cirúrgica. Mas independentemente da tecnologia, nenhuma máquina pode prevenir todas as complicações. Alcançar bons resultados ainda depende da habilidade e experiência do cirurgião (Figura 1).

  • Fatores relacionados ao cirurgião para otimizar os resultados da cirurgia de catarata

    Figura 1. Fatores relacionados ao cirurgião para otimizar os resultados da cirurgia de catarata

    Baixar imagem (495 KB)

Avaliação pré-operatória

Realizar um exame detalhado para identificar patologias que podem complicar a cirurgia ou limitar o resultado, tratar condições tratáveis e obter medições biométricas precisas para uso nos cálculos da LIO são fatores essenciais para alcançar os resultados refrativos e visuais desejados. Essas etapas exigem o uso de equipamentos de diagnóstico adequados.

Nos últimos anos, tem havido uma crescente valorização da detecção e do tratamento das doenças da superfície ocular para otimizar os resultados após a cirurgia de catarata. Como a córnea é responsável por dois terços da força refrativa do olho, a avaliação de sua qualidade óptica é fundamental para o sucesso, especialmente na cirurgia refrativa do cristalino. Os atuais sistemas de tomografia da topografia de córnea que fazem esse tipo de avaliação (incluindo a análise das superfícies anterior e posterior) se tornaram uma ferramenta fundamental na seleção do melhor tipo de LIO para um paciente específico.

Os resultados funcionais também podem ser afetados pela patologia da mácula. Como o cristalino acometido por catarata pode dificultar a visualização do segmento posterior na lâmpada de fenda, tem havido uma discussão sobre tornar a tomografia de coerência óptica (OCT) da mácula um exame de rotina na avaliação pré-operatória. As gerações mais recentes de biômetros também podem ajudar os cirurgiões em sua rotina diária. Por exemplo, por meio de sua tecnologia integrada de OCT Swept-Source, o ZEISS IOLMaster 700 ajuda o cirurgião a fazer a fixação, apresentando um pequeno exame da mácula.

A insuficiência zonular é outra questão a ser considerada em uma avaliação pré-operatória meticulosa, pois aumenta significativamente o risco de instabilidade da câmara anterior e complicações intraoperatórias, além de poder afetar a decisão sobre a LIO. Em olhos com zônulas fracas ou com risco de desenvolver fraqueza zonular, é importante selecionar uma LIO com tolerância à descentralização para proporcionar aos pacientes uma boa qualidade de imagem no longo prazo.

Uma pupila pequena também é um fator de risco para complicações intraoperatórias, mas a probabilidade de eventos adversos pode ser reduzida com um planejamento adequado. Portanto, no pré-operatório, os cirurgiões devem avaliar a resposta da pupila às gotas dilatadoras e determinar se o paciente apresenta algum fator de risco para a síndrome da íris flácida intraoperatória (IFIS) ou miose intraoperatória.

A classificação da catarata é outra importante etapa na avaliação pré-operatória, pois saber as características da lente permite que os cirurgiões escolham uma técnica cirúrgica adequada e as configurações da máquina de facoemulsificação que favorecerão a eficiência e a segurança cirúrgicas. O Lens Opacities Classification System (LOCS) III é o mais comumente citado para esse fim, embora raramente seja aplicado em todos os seus detalhes na prática clínica. Além disso, não abrange as cataratas mais avançadas, que representam o maior desafio cirúrgico. Por esse motivo, criamos o sistema BCN10, uma classificação simples que se concentra na rigidez do núcleo, que tem o valor mais influente para prever a dificuldade cirúrgica.1 Embora o papel do BCN10 ainda não tenha sido estabelecido globalmente, demonstramos que ele apresenta boa repetibilidade intra e interobservador, alta confiabilidade e boa correlação com o tempo efetivo de facoemulsificação e a energia de facoemulsificação.1

Considerações intraoperatórias para evitar complicações (Figura 2)

A perda da estabilidade da câmara anterior é uma das causas mais comuns de complicações durante a cirurgia de catarata e tem várias causas potenciais. O colapso da câmara anterior pode ocorrer devido a limitações de desempenho do sistema fluídico da máquina de facoemulsificação, mas também como resultado de fatores relacionados ao cirurgião. Apressar o procedimento, escolher parâmetros excessivamente altos para o vácuo e/ou aspiração e manobrar instrumentos de uma forma que distorce a incisão principal ou o segundo local de entrada do instrumento pode comprometer a estabilidade da câmara anterior. Tudo isso deve ser evitado.

Para ter sucesso na cirurgia de catarata, é necessário prestar atenção à realização de uma incisão que seja autovedante (pessoalmente, prefiro uma incisão em dois planos) e com o tamanho adequado para a caneta faco. Uma incisão muito larga compromete a estabilidade da câmara anterior por permitir vazamentos, enquanto uma incisão excessivamente estreita também compromete a estabilidade da câmara anterior ao comprimir a manga de infusão. Uma regra geométrica simples mostra que, como a circunferência é igual a ~3,14 (pi) vezes o diâmetro e uma faca cria duas superfícies de tecido com a sua largura (L), o diâmetro do túnel da incisão será de cerca de 2L/3,14 (ou seja, um cerátomo de 2,2 mm criará um túnel de 1,4 mm, sem contar com o estiramento do tecido).

  • Som original: EN | Legendas: Nenhuma

    Figura 2. Causas comuns de complicações intraoperatórias

Compartilhar este artigo


  • 1

    Barraquer RI, Pinilla Cortés L, Allende MJ, et al. Validation of the nuclear cataract grading system BCN 10. Ophthalmic Res. 2017;57(4):247-251.